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sexta-feira, 22 de maio de 2015

De Mentira

 Olá, leitores! Há alguns minutos atrás, eu estava lendo um conto do livro Contos Mínimos, que eu achei muito interessante e que me deixou pensativa. Vou deixar aqui o conto para vocês: 

 De Mentira
 Correu pelos dedos o colar de pérolas, sentindo a textura acetinada e fria das pequenas esferas. Ela havia recebido aquele colar de presente dos pais ao completar 18 anos. Fazia tempo isso. Lembrava-se que, naquela época, as pessoas ainda falavam de pérolas naturais e cultivadas. Nunca entendera bem a diferença. Até que um dia, há não muito tempo, vira na estante de um sebo um belo livro encadernado, um dos volumes de uma enciclopédia. Folheando o livro ao acaso, dera com um verbete sobre pérolas e começara a ler.
 No início do século, um japonês chamado Kokichi Mikimoto, o filho de um fabricante de macarrão, conseguira fazer o que até então parecia impossível: cultivar pérolas. Antes disso, as pérolas eram algo raro e caríssimo. Os caçadores de pérolas abriam centenas e centenas de ostras até encontrar uma que tivesse produzido, dentro de sua concha, o pequeno objeto nacarado, resultado de uma espécie de calcificação. Mas as pérolas encontradas só tinham valor se fossem redondas e perfeitas - o que era ainda mais raro. Aperfeiçoando um método que já vinha sido testado por outros pesquisadores, Mikimoto conseguira fazer com que as ostras por ele manipuladas produzissem pérolas perfeitas, através da introdução, no corpo dos moluscos, um núcleo redondo extraído da concha de um determinado tipo de ostra. 
 A mulher lera aquilo com uma pontada de inquietação. E agora, com o seu colar de pérolas nas mãos, preparando-se para sair, voltara a sentir a sensação de estranheza. Aquelas pérolas, com toda a certeza, eram cultivadas. Feitas com a invenção do homem. Porém perfeitas.Tão perfeitas quanto qualquer pérola natural. A invenção de Mikimoto provocara uma revolução. Depois dele, nada mais fora como antes. Uma vez patenteado e disseminado um novo método, as pérolas se tinham transformado na coisa mais comum do mundo. Simplesmente porque é possível determinar a diferença entre a cultivada e a natural. 
 E é isso, pensou, o que a inquieta. O fim da diferença. Num mundo em que o falso é cada vez mais perfeito, em que o virtual se expande como um câncer, tomando conta da realidade, em que computadores, biotecnologia, transgênicos, clones e provetas fazem do homem uma espécie de deus. As diferença entre o que é e o que não é real se tornam cada vez mais sutis, quase imperceptíveis. Perigosamente imperceptíveis. 
 E, já com o colar no pescoço, a mulher se olhou no espelho, tentando sorrir. Mas não pode deixar de ver o brilho triste que embaçava seus olhos, denunciando-a. No fundo, ela sabia: seu sorriso também era de mentira. 
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 Eu adorei esse conto, porque ele fala de uma das coisas na qual quase nunca paramos para pensar: a mentira.
 Afinal, o que pode ser considerado verdadeiro hoje em dia?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Sem Contato

Frase do Dia: "Imagine uma nova história para sua vida e acredite nela." - Paulo Coelho.
 Olá, leitores! Aqui vai um conto criado por mim. É sobre aquelas paixonites que temos nas ruas, ônibus etc, nas quais, às vezes não conseguimos esquecer de jeito nenhum! Espero que gostem!

 Ah... que ótimo dia!
 Na verdade, foi um dia comum, como todos os outros, porém aconteceu algo diferente. Algo no qual, creio eu, nunca vou esquecer.
 Frio, chuva e um passeio para o lugar que mais gosto: feiras de livros.
 Tanta chuva... tão desnecessário!
 Estava esperando meus parentes, procurando um livro legal - eram tantas opções.
 Então eu olhei para o lado... e lá estava ele. Ele e sua mãe, pra falar a verdade.
 Sei que se interessou por mim. Talvez minha roupa. Talvez meu cabelo. Talvez meu jeito desengonçado. Algo em mim chamou sua atenção.
 Como sou envergonhada... Oh, como lamento por isso! Então virei-me e me afastei, fingindo que estava à procura de um livro - e eu realmente estava, mas a presença dele me distraiu.
 Olho para o lado... não acredito! Sim, ele estava do meu lado! O que eu poderia fazer? Peguei um livro qualquer e olhei a parte de trás de sua capa. Olho novamente para o lado... sim, ele me olhou também. Que vergonha! Porém, mesmo com tanta vergonha, aquele momento foi tão maravilhoso. Tão inesquecível!
 Então... tudo acabou.
 A mãe dele o chamou. Ele me olhou novamente, foi para perto da mãe e, de longe, eu o ouvi contestar, pedindo para ficar mais um pouco.
 Claro que sua mãe não quis...
 Uma última olhada... eu vi seu sofrimento estampado nos olhos. Aquilo durou uma fração de segundos, antes de ele virar a rua, e aquilo ser um adeus mudo.
 Tive vontade de ir atrás. Como sou tola! Mas... não era só isso... aquela maldita chuva!
 E ali eu fiquei.
 Segurando aquele livro e olhando para o ponto de onde ele estava.
 Até hoje, lembro-me muito bem daquele dia - o que me deixa triste, pois eu não sabia nem seu nome.

domingo, 18 de janeiro de 2015

O Conto dos Três Irmãos (Harry Potter)


 Olá, leitores! O conto dos três irmãos é - e sempre foi - o meu favorito. Quando eu o conheci, foi vendo Harry Potter e as Relíquias da Morte - parte 1. Claro que, como sendo criado para fazer parte dos livros/filmes de Harry Potter, o Conto dos Três irmãos fala sobre magia. Esse conto pode ser encontrado em vários lugares: no livro Os Contos de Beedle, o Bardo; no livro Harry Potter e as Relíquias da Morte - parte 1; no filme Harry Potter e as Relíquias da Morte - parte 1; e também na internet, é claro.
 É um pouco grandinho, mas para quem gosta de magia, posso garantir que vale a pena! Espero que gostem!

 Era uma vez três irmãos que caminhavam por uma estrada solitária e sinuosa ao crepúsculo. A certa altura, os irmãos chegaram a um rio demasiado fundo para passar a pé e demasiado perigoso para atravessar a nado. Contudo, esses irmãos eram exímios em artes magicas, por isso limitaram-se a agitar as varinhas e fizeram aparecer uma ponte sobre as águas traiçoeiras. Iam a meio desta quando encontraram o caminho bloqueado por uma figura encapuzada. E a Morte falou-lhes. Estava zangada por ter sido defraudada em três novas vítimas, pois normalmente os viajantes afogavam-se no rio. Mas a Morte era astuta.
 Fingiu felicitar os três irmãos pela sua magia e disse que cada um deles havia ganho um prêmio por ter sido suficientemente esperto para a evitar.
E assim, o irmão mais velho, que era um homem combativo, pediu uma varinha mais poderosa que todas as que existissem: uma varinha que vencera a Morte! Portanto a Morte foi até um velho sabugueiro na margem do rio, moldou uma varinha de um ramo tombado e deu-a ao irmão mais velho.
Depois, o segundo irmão, que era um homem arrogante, decidiu que queria humilhar ainda mais a Morte e pediu o poder de trazer outros de volta da Morte. Então a Morte pegou numa pedra da margem do rio e deu-a ao segundo irmão, dizendo-lhe que a pedra teria o poder de fazer regressar os mortos.
E depois a Morte perguntou ao terceiro irmão, o mais jovem, do que gostaria ele. O irmão mais novo era o mais humilde e também o mais sensato dos irmãos, e não confiava na Morte. Por isso, pediu qualquer coisa que lhe permitisse sair daquele local sem ser seguido pela Morte. E esta, muito contrariada, entregou-lhe o seu próprio Manto de Invisibilidade. Depois a Morte afastou-se e permitiu que os três irmãos prosseguissem o seu caminho, e eles assim fizeram, falando com espanto a aventura que tinham vivido, e admirando os presentes da Morte.
 A seu tempo, os irmãos separaram-se, seguindo cada um o seu destino.O primeiro irmão continuou a viajar durante uma semana ou mais e, ao chegar a uma vila distante, foi procurar um outro feiticeiro com quem tinha desavenças. Naturalmente, com a Varinha do Sabugueiro como arma, não podia deixar de vencer o duelo que se seguiu. Abandonando o inimigo morto estendido no chão, o irmão mais velho dirigiu-se a uma estalagem onde se gabou, alto e bom som, da poderosa varinha que arrancara à própria Morte, e que o tornava invencível.Nessa mesma noite, outro feiticeiro aproximou-se silenciosamente do irmão mais velho, que se achava estendido na sua cama, encharcando em vinho. O ladrão roubou a varinha e, à cautela, cortou o pescoço ao irmão mais velho.Assim a Morte levou consigo o irmão mais velho.
 Entretanto, o segundo irmão viajara para sua casa, onde vivia sozinho. Aí, pegou na pedra que tinha o poder de fazer regressar os mortos, e fê-la girar três vezes na mão. Para seu espanto e satisfação, a figura da rapariga que em tempos esperava desposar, antes da sua morte prematura, apareceu imediatamente diante dele.No entanto, ela estava triste e fria, separada dele como que por um véu. Embora tivesse voltado ao mundo mortal, não pertencia verdadeiramente ali, e sofria. Por fim o segundo irmão louco de saudades não mitigadas, suicidou-se para se juntar verdadeiramente com ela.  E assim a Morte levou consigo o segundo irmão.
Mas embora procurasse durante muitos anos o terceiro irmão, a Morte nunca conseguiu encontra-lo. Só ao atingir uma idade provecta é que o irmão mais novo tirou finalmente o manto de invisibilidade e deu ao seu filho. E então acolheu a Morte como uma velha amiga, e foi com ela satisfeito e, como iguais, abandonaram esta vida.



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